A síndrome do especialista impostor

Em um mercado onde todo mundo quer parecer autoridade da noite para o dia, surge uma pergunta incômoda: o que realmente define um especialista? Neste texto, uma reflexão provocativa sobre a necessidade de validação nas redes sociais, o imediatismo profissional e o perigo de tentar sustentar uma imagem que a experiência ainda não acompanha.

PERSONAL TRAINER

Diogo Evangelista

5/15/20262 min read

black blue and yellow textile
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Cada vez mais aumenta o número de “especialistas” na Educação Física.

E, hoje, existem dois tipos bem claros de profissionais.

Os que realmente buscam uma formação específica para aprofundar o conhecimento em determinada área.

E os que simplesmente decidiram se autointitular “especialistas”.

É sobre esses que eu quero falar hoje.

Afinal, qual é o parâmetro para alguém ser considerado especialista em alguma coisa?

Um curso?

Uma pós-graduação?

Tempo de atuação?

Resultados práticos?

Ou apenas o famoso achismo?

Na medicina, uma especialização pode levar de 2 a 5 anos.
No Direito, cerca de 1 ano e meio.
Na fisioterapia, entre 1 e 2 anos.

Na Educação Física, o caminho não é muito diferente.

Mas existe um ponto importante aqui.

Um profissional que trabalha há 5, 10 ou 15 anos em um mesmo segmento, estuda constantemente, tem resultados comprovados e experiência prática gigantesca, mas nunca fez uma pós específica… ele pode ser considerado especialista?

Na minha opinião, sim.

E talvez, em muitos casos, ele tenha até mais domínio prático do que alguém recém-formado em uma especialização.

Porque conhecimento não nasce só dentro de sala de aula.
A prática também ensina. E ensina muito.

Só que a grande provocação desse texto não é sobre quem fez ou não fez uma formação.

A questão é outra.

Estou falando de pessoas que se autointitulam especialistas sem possuir certificação, sem experiência sólida e, às vezes, sem nem terem concluído a graduação.

E aí surge a pergunta:

Por que essa necessidade desesperada de parecer algo que você ainda não é?

Por que tentar transmitir uma autoridade que ainda não foi construída?

Necessidade de validação?

Ego?

Pressão das redes sociais?

Hoje, muita gente quer pular etapas.
Tudo precisa acontecer rápido.

O corpo perfeito rápido.
O dinheiro rápido.
O reconhecimento rápido.
A autoridade rápida.

Ninguém mais quer viver o processo.

E eu também me incluo nisso.

Muitas vezes quero que as coisas aconteçam no meu tempo. Quero resultado imediato. Quero acelerar etapas que, talvez, precisem apenas de maturação.

A ansiedade faz isso.

Ainda bem que tenho o Flávio, meu psicólogo, para me ajudar a enxergar essas questões com mais clareza.

Ser especialista é importante. Muito importante.

E eu realmente torço para que os profissionais busquem evolução, aprofundamento e maturidade profissional.

Mas existe uma diferença enorme entre construir autoridade… e fingir autoridade.

Tudo tem sua curva de aprendizado.

Alguns vão conquistar isso através de cursos.
Outros através da prática.
E muitos através da combinação dos dois.

Mas existe algo que ninguém consegue maquiar por muito tempo: competência.

Porque, no fim, o cliente percebe.

Ele percebe quando existe segurança.
Percebe quando existe profundidade.
E percebe, principalmente, quando existe personagem.

Por isso, respeite o processo.

Até que essa construção aconteça de verdade, lembre-se:

Você ainda é professor.
Ou estagiário.

E não existe problema nenhum nisso.

Os dois têm valor.
Os dois são necessários.
E os dois fazem parte do caminho de qualquer profissional que realmente deseja se tornar especialista um dia.